A CIA, nos Estados Unidos, é responsável por coletar e analisar informações de inteligência estrangeira para assessorar o governo em questões de segurança nacional, o que inclui obter dados sobre ameaças potenciais, avaliação de riscos e fornecimento de análises que servirão para apoiar a formulação de políticas. Além disso, a agência também conduz operações secretas e coleta informações relacionadas à segurança nacional. É uma agência importante para a segurança e defesa dos Estados Unidos.  

No Reino Unido, essa responsabilidade cabe ao MI6, cujo papel é coletar informações sobre ameaças externas à segurança nacional, ou seja, operar globalmente focando em questões internacionais, espionagem e contraespionagem. Uma atuação igualmente fundamental para a tomada de decisões em questões de política externa e segurança nacional.   

Em todos os outros cantos do mundo, as agências de inteligência basicamente desempenham papéis na proteção dos interesses nacionais, a exemplo do que ocorre nos EUA e no Reino Unido. Exceto no Brasil, onde é interessante observar a peculiaridade do foco das nossas agências de inteligência em comparação com seus homólogos estrangeiros.

Enquanto essas agências estrangeiras concentram seus esforços em ameaças externas, as agências brasileiras, historicamente, preferem direcionar a mira de sua atenção para o próprio do pé.

Um exemplo emblemático dessa dinâmica é a trajetória do DOI-CODI durante a Ditadura Militar. Inicialmente estabelecido como instrumento de repressão política, era o responsável pelo planejamento de ações de segurança e informação, mas na prática isso incluía capturas, averiguações e interrogatórios de suspeitos – para dizer o mínimo –, até ser extinto no final do governo Figueiredo. O mesmo ocorreu com o SNI (Serviço Nacional de Informação), principal órgão de espionagem da Ditadura contra "ameaças comunistas", que foi extinto pelo então presidente Collor, ao assumir o cargo, e substituído pelo Departamento de Inteligência da Secretaria de Assuntos Estratégicos (DI/SAE). Esse departamento foi elevado à condição de Subsecretaria de Inteligência (SSI) e em 1999, durante o governo de FHC, foi criada a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência), desenvolvendo operações que eram responsabilidade do antigo SNI, indicando uma continuidade no enfoque de monitoramento interno. 

É preciso questionar o equilíbrio entre a proteção dos cidadãos e a preservação dos direitos individuais em um contexto em que as ameaças parecem ser predominantemente internas. O papel da ABIN na oferta de informações estratégicas ao governo deve ser acompanhado de perto para garantir que sua atuação não comprometa os princípios democráticos que moldam a sociedade brasileira. 

E só para não deixar de mencionar um episódio do nosso anedotário, o próprio desmantelamento abrupto do SNI por Collor tem seu episódio circulando os corredores da história: ainda candidato a presidente, Collor teria sido deixado esperando por horas por um general com quem solicitou uma reunião, e essa – e somente essa – teria sido a razão para a extinção do SNI. De fato, o que mais ameaça externamente o Brasil ainda está dentro dele, haja vista o estrago causado pela Lava Jato, que destruiu empresas nacionais, em benefício dos concorrentes estrangeiros.   

Mais sobre 

Política

Veja mais

ComTexto no seu inbox. Leitura com contexto, toda semana.

Sem spam. Só conteúdo com propósito.
Perfeito. Em breve, você receberá o ComTexto no seu inbox.
Oops! Something went wrong while submitting the form.